sábado, 25 de abril de 2009

Bandeira de conveniência ou Pirataria legalizada

A navegação marítima é a mais importante forma de transporte de cargas em todo o mundo, e para tanto, existem regras e legislações específicas para fiscalizar esta atividade, sobretudo na prevenção de acidentes e danos ao meio ambiente. Para que um navio possa atuar neste segmento, é necessário que o mesmo tenha um registro em algum país, e que ostente a sua bandeira, ficando sujeito a sua legislação.
No Brasil, foi criado o REB (Registro Especial Brasileiro), com a finalidade de manter os registros de todos os navios brasileiros, porém, a burocracia e a demora, que pode levar meses, além das exigências por parte do governo, acabam levando muitos armadores brasileiros a registrarem seus navios em outros países, como o Panamá, onde se consegue este registro em menos de quatro horas.
Diversos países como o Panamá, Libéria, Honduras, Costa Rica, Bahamas e muitos outros, oferecem este tipo de registro, conhecido como bandeira de conveniência, onde são encontradas facilidades para o registro, incentivos fiscais e o mais importante, a não imposição do vínculo entre o Estado de registro e o navio registrado. Na prática, um navio brasileiro registrado nas Bahamas, não precisa se submeter às leis brasileiras, não atendendo às legislações tributária, trabalhista e ambiental do nosso país e nem do país de registro.
Estes países que permitem a bandeira de conveniência, na sua grande maioria, têm por costume a não observância de legislações e regulamentos relativos à segurança de navegação, por não serem consignatários da CNUDM III (Convenção das Nações Unidas sobre direito do mar) e outras convenções internacionais de extrema importância para a navegação, como a MARPOL, SOLAS 1974, CLC/69 e outras.
Esta não observância às convenções marítimas, principalmente no aspecto da segurança, onde os navios não são devidamente fiscalizados quanto ao seu estado e o risco de acidentes, tem provocado verdadeiras catástrofes e danos irreparáveis à natureza e ao meio ambiente, basta observar os últimos acidentes com derramamento de óleo e enormes danos à natureza, em que todos os navios envolvidos eram de bandeira de conveniência, ex: Prestige (Nov/2002) bandeira das Bahamas, Erika (Dez/1999) bandeira de Malta, Amoco Cadiz (Mar/1978) bandeira da Libéria, Argo Merchant (Dez/1976) bandeira da Libéria, e muitos outros.
A busca incessante do lucro, a concorrência cada vez mais acirrada e a guerra travada para ter custos baixos e preços competitivos, levam os armadores a registrarem os seus navios com bandeira de conveniência, e em nome da globalização, criando situações como a do navio Prestige, acidentado em 2002, que tinha bandeira das Bahamas, capitão Grego, tripulação asiática e contratante Inglês, transformando um navio em uma verdadeira Torre de Babel. Embora seja uma prática lícita, os prejuízos para o seu país de origem são inevitáveis, através da evasão de divisas, do não pagamento de impostos, sendo os trabalhadores penalizados pelo não cumprimento das leis trabalhistas, chegando em muitos casos a um regime de semi-escravidão.
Atualmente 67% da frota Européia e 97% da frota brasileira operam com bandeira de conveniência, aonde a economia dos armadores chega a um milhão de dólares/ano por navio.
A bandeira de conveniência, também chamada de “Pavilhão barato” ou “Bandeira pirata”, pelas vantagens e facilidades oferecidas, dificilmente deixará de existir. Teremos então que conviver com milhares de navios piratas ou navios fantasmas que não estão sujeitos a nenhum Estado, navegando pelos mares do nosso planeta, só nos restando rezar para que os próximos acidentes não tenham conseqüências tão trágicas para o nosso tão maltratado meio ambiente.

sábado, 18 de abril de 2009

PANELA VELHA É QUE FAZ COISAS BOAS

Em uma das edições da revista Intra Logística, encontramos uma matéria muito interessante, que chama a atenção por sua peculiaridade. O mercado de empilhadeiras, sejam elas dos mais variados modelos e capacidades, está passando por um período de crescimento, acompanhando a onda do crescimento industrial que o nosso país vem atravessando nos últimos anos.
A compra de qualquer equipamento por um empresário, sempre foi motivo de muita preocupação e muita cautela, em virtude de os custos de manutenção do equipamento e das suas eventuais paradas, serem muito altos, em relação ao investimento inicial.
De olho num mercado em grande expansão, os grandes frotistas de empilhadeiras, estão substituindo as suas empilhadeiras usadas por outras novas, reformando estas usadas e as colocando à venda no mercado. O público alvo destes equipamentos são as pequenas e médias empresas, que não tem condições de ter um investimento inicial muito alto.
Esta mudança de comportamento dos pequenos e médios empresários é decorrente da necessidade de acompanhar os avanços do mercado em termos de agilidade e rapidez na execução dos serviços. Um bom exemplo disto é a indústria cerâmica, que carregava os tijolos manualmente um a um, e hoje utiliza uma empilhadeira para este trabalho; no setor madeireiro, não é mais possível conceber um carregamento de madeira destinado à exportação sem o uso destes equipamentos.
Os analistas calculam um crescimento em torno de 30% no volume de vendas de empilhadeiras novas e um percentual ligeiramente maior nas vendas das usadas, sinalizando que o mercado está aquecido nesse setor. Porém, a matéria também alerta para os riscos envolvidos na compra de equipamentos usados, orientando que se procure sempre adquirir os mesmos, dos próprios fabricantes ou dos grandes frotistas, que podem dar uma garantia de que as principais peças que se desgastam com o uso, tenham sido substituídas, evitando paradas e gastos com manutenção corretiva.
As vantagens para as pequenas e médias empresas na aquisição de empilhadeiras usadas estão primeiramente no custo, que é fator principal na decisão pela compra e depois na facilidade de ter o equipamento à disposição para a pronta entrega.
O pequeno e o médio empresário brasileiro, sempre com muita criatividade e persistência, acabam descobrindo caminhos alternativos para alavancar os seus negócios e concorrer em melhores condições neste mercado globalizado e cada vez mais competitivo, muitas vezes, fazendo a grande diferença na cadeia produtiva em geral.

sábado, 11 de abril de 2009

DANDO UMA VOLTA NOS CUSTOS

A revista Intra Logística, numa de suas edições, apresentou a solução de um gargalo no setor de transportes de uma das maiores redes de supermercados do país, o Carrefour, onde são realizadas 14 mil expedições por mês, gerando uma quantidade enorme de controles financeiros para gerenciar, além de um sem número de rotas a visualizar, além de, no atual contexto, ser necessário driblar a falta de caminhões, lutando para aumentar a produtividade e reduzir custos.
Os sistemas desenvolvidos dentro da empresa, já não estavam mais atendendo às necessidades, tendo sido feita então, uma análise detalhada do complexo fluxo de transportes, envolvendo os seus centros de distribuição, visando um gerenciamento da malha logística e de fretes.
Após uma avaliação das opções oferecidas no mercado e a possibilidade deste sistema ser desenvolvido dentro da empresa, chegaram à conclusão que se optassem pela terceirização deste trabalho, teriam um custo 20% menor e um tempo de implantação 40% menor.
Foi escolhido o sistema desenvolvido pela GKO Fretes, que após a sua implantação, mostrou como resultado, uma redução da frota de suporte em 17% e uma significativa redução dos custos de frete e no tempo de atendimento às lojas. O sistema apresentou também, um aumento do número de viagens/dia por caminhão e uma redução nos custos de contratação de seguros de cargas.
Mais uma vez fica evidenciada a necessidade das empresas optarem por empresas especializadas nas atividades nas quais não tem como sua função principal. O Carrefour pode ter um excelente setor de transportes, mas não é especializado em desenvolvimento de software. Desta forma, buscando a parceria correta todos tendem a ganhar, cada qual dentro da sua área de atuação.

sábado, 4 de abril de 2009

AQUILES TERIA INVEJA DESSE CALCANHAR

A revista Intra Logística, publicada pelo IMAM, traz uma matéria sobre as mudanças ocorridas nas empresas do Grupo Netuno, formado por dez indústrias processadoras de pescados e três estações para a produção de camarão cultivado distribuídas por onze estados. Devido à informalidade do setor e de diversos procedimentos manuais, a rápida expansão da empresa trouxe dificuldades de gerenciamento nos processos internos, causando muitas perdas, por falhas na programação da produção e da falta de controle do estoque.
Após alguns estudos, a empresa resolveu implementar um sistema de gerenciamento e controle de estoques através de ferramentas, como WMS, através da empresa Datasul. Esta automatização dos processos foi fundamental para solucionar o problema, chamado de “calcanhar de Aquiles”, ocasionando uma diminuição considerável nas perdas por avarias e uma programação de produção mais eficiente, aumentando a confiabilidade por parte dos clientes.
Esta mudança na forma de controlar os processos, possibilitou um aumento de produtividade e a abertura de novas unidades produtoras, três centros de distribuição e duas filiais no exterior.
As empresas de um modo geral, dos mais variados segmentos, tem procurado otimizar os seus processos de gerenciamento de estoques e processos na busca da excelência, que é atualmente, o grande diferencial de mercado, através de ferramentas WMS, cada vez mais sofisticadas e eficientes.

Resenha "Puxar mais"

“Empurrar menos, puxar mais” (revista Logística, Outubro/2007), “Estruturação logística” (Sidney Trama Rago, consultor da IMAM Consultoria L...