sábado, 27 de junho de 2009

Empilhadeiras articuladas


Em qualquer armazém, um dos equipamentos fundamentais para a sua operacionalização é a empilhadeira. Definir o tipo, o modelo e a capacidade da empilhadeira ideal, não é tarefa fácil, visto que o mercado oferece inúmeras opções, destinadas aos mais diferentes tipos de necessidades.
A empilhadeira contrabalançada convencional de quatro rodas é o modelo mais utilizado no mundo, pois permite trabalhar em qualquer tipo de piso, em áreas externas e internas. Mas para que este tipo de empilhadeira possa manobrar dentro do armazém, são necessários corredores com 3 a 4 metros de largura, o que reduz em muito o espaço físico de armazenagem.
Existem também no mercado as empilhadeiras elétricas de mastro retrátil, que têm um mastro ou garfos que avançam e retraem a partir do corpo da empilhadeira para reduzir ainda mais os corredores e poder operar em corredores de 2,5 a 3 metros. Para melhorar o desempenho nos corredores, estas empilhadeiras foram projetadas de forma compacta, e isso requer pneus mais duros para superar os problemas de estabilidade resultantes da elevação. Os pneus menores e mais duros determinam que a empilhadeira de mastro retrátil somente seja adequada para serviço interno, em pisos bem regulares.
Outro modelo muito versátil é a empilhadeira trilateral, que além da elevação do mastro retrátil, possui articulação dos garfos, permitindo atuar nos dois lados do corredor, podendo atuar em corredores estreitos. Porém este modelo é muito específico, sendo produzido para atender as especificações de cada cliente, dificultando a sua substituição em caso de quebra. Como este modelo não é adequado para operações de carga e descarga de caminhões, será necessário um espaço de 5 a 7 metros no final de cada corredor, para que as empilhadeiras convencionais façam a alimentação e para a troca de corredores.
Finalmente surgiu no mercado um modelo de empilhadeira, que parece ser a solução para estes problemas. Trata-se da empilhadeira articulada, fabricada pela empresa Bendi da Inglaterra, que já está sendo seguida pela inglesa Flexi e pela irlandesa Aisle-Master. Este modelo possui três rodas, sendo que a dianteira fica abaixo da torre, permitindo que a mesma seja direcionada para ambos os lados. Além da flexibilidade, a empilhadeira articulada pode ser utilizada em qualquer tipo de piso e não exige muito espaço para manobras nos corredores.
Este modelo oferece a capacidade e a confiabilidade das empilhadeiras convencionais aliadas à flexibilidade das empilhadeiras de torre retráteis e articuladas.
A tecnologia, na busca do aperfeiçoamento dos equipamentos, vem contribuindo muito para resolver os problemas de logística dos armazéns e da movimentação de materiais, trazendo constantes inovações e soluções para os gargalos na estocagem e no transporte de modo geral.

sábado, 20 de junho de 2009

HOLANDA 10 X 0 BRASIL

Quando se fala em logística, a Holanda é referência mundial. O país dispõe de uma rede de vias de navegação interna, com conexões para outros países da Europa, além de uma extensa rede de transporte rodoviário, sendo o terceiro país no mundo em qualidade de transporte aquático.
Em 2007, no Índice de Desempenho Logístico do Banco Mundial, a Holanda ficou no topo da lista em termos de eficiência e efetividade de alfândega e outros procedimentos aduaneiros, qualidade de transporte e infra-estrutura de TI para logística, facilidade e baixo custo de embarque de mercadorias e nível de profissionalização da indústria logística nacional.
Outro ponto importante é o fato do aeroporto de Schiphol, o terceiro maior da Europa em transporte de cargas, ficar próximo ao porto de Roterdã, o maior do continente, possibilitando às cargas, chegarem a países como França e Alemanha, em questão de horas.
Em recente visita ao Brasil, onde participou de reunião na FIESP em São Paulo, o primeiro-ministro Jan Peter Balkenende, destacou o interesse da Holanda em estreitar as relações comerciais com o Brasil, que importa menos de 1% dos países baixos, além da criação de uma política de cooperação, através da troca de conhecimentos e tecnologia.
O Brasil pode contribuir com o biocombustível, e com o ensino técnico e superior de qualidade, os holandeses podem ajudar muito transmitindo a sua experiência em logística e infra-estrutura.
Apesar de todos os esforços do governo brasileiro em modernizar e melhorar a qualidade e a produtividade dos nossos portos, através de medidas como a Lei 8.630/93 e os recursos do PAC para o desenvolvimento da infra-estrutura de transportes e logística, ainda vamos levar muito tempo para termos um resultado positivo, pois o maior problema que temos atualmente não é a falta de investimentos ou a capacidade técnica, mas a burocracia e os entraves políticos, que retardam e muitas vezes inviabilizam qualquer iniciativa produtiva.

sábado, 13 de junho de 2009

A LOGÍSTICA DOS OVOS

A empresa Naturovos, sediada em Salvador do Sul/RS, produz diariamente 1,8 milhão de ovos, o equivalente a 150 dúzias, ou um contêiner de 40 pés, produção esta, que tem 40% do seu total destinada ao mercado internacional.
Desde 2004, a empresa vem exportando para a áfrica, e a partir de 2006, ingressou no mercado do Oriente Médio, atendendo países como Emirados Árabes, Arábia Saudita, Kuwait, Iraque, e outros.
O grande desafio da empresa para atender estes clientes, está no prazo de entrega. Por ser altamente perecível, este tipo de produto tem validade de 90 dias quando transportado em contêiner reefer, e exige um transit time muito ágil. Entre a data de fabricação e a internacionalização no destino final, o prazo tem de ser, no máximo, de 45 dias.
A viabilidade desta operação só foi possível devido à parceria com a empresa Safmarine, que atende o Oriente Médio em 28 dias, dando prioridade para esta carga, evitando transbordo e handling.
Para a áfrica, a logística é ainda mais complicada, porque o destino é Angola, e no porto de Luanda, há navios que chegam a ficar atracados até 25 dias. Mas como a Safmarine e a Maersk têm a concessão do porto, as cargas da Naturovos e de outros clientes prioridade.
Cada vez mais, fica comprovada a necessidade das empresas procurarem parcerias para alavancarem os seus negócios, como no caso da Naturovos, não haveria logística possível para atender aqueles mercados se não fosse pela atuação dos transportadores em agilizar e priorizar as suas entregas.

sábado, 6 de junho de 2009

Sistema de Transportes – Reflexos da inoperância no Brasil

O sistema de transportes brasileiro como um todo, apresenta diversas dificuldades quanto à sua estrutura, que já vem de longa data, se acumulando em conseqüências cada vez mais desastrosas para o nosso país. O Brasil, conta hoje com um sistema de transportes antiquado, obsoleto, aliado a uma malha viária sucateada, com uma frota envelhecida, operada por muitas empresas sem nenhuma estrutura operacional para desenvolver esta atividade.
Analisando os sistemas de transportes dos países de primeiro mundo, verificamos que as rodovias estão em ótimo estado, porque o limite de peso permitido é bem inferior ao nosso, as frotas são novas, porque o custo de manutenção é baixo devido ao bom estado das rodovias, o volume transportado por via rodoviária é muito menor que o transportado por outros modais, como a navegação de cabotagem e o ferroviário.
O Brasil investe pouco na infra-estrutura viária, praticamente abandonou as nossas ferrovias, não incentiva e não investe na navegação fluvial e tampouco consegue manter as nossas rodovias em condições mínimas de utilização e de segurança.
Infelizmente, somos o país do desperdício, basta olhar o transporte da soja, quantos grãos são desperdiçados ao longo das\rodovias, nas operações de carga e descarga e até mesmo nos silos. Enquanto a fome mata milhares de pessoas em várias partes do mundo, o Brasil absurdamente desperdiça toneladas de alimentos, nas feiras livres, nos ceasas, nos restaurantes e até em muitas residências.
Na Europa, existe uma cultura do não-desperdício de alimentos, nos restaurantes você só paga o que consumir e os pratos que não forem tocados, voltam para a cozinha. A quantidade fornecida é suficiente para alimentar uma pessoa e não haver sobras. No Brasil, existe uma cultura inversa, a da fartura, onde os restaurantes oferecem pratos absurdamente exagerados, onde a maior parte acaba sobrando e vai para o lixo.
O Brasil sofre de um mal crônico, que dificilmente conseguirá se livrar. Além da falta de investimentos, que se confunde com a falta de vontade política, o grande problema brasileiro é sem dúvida alguma, cultural. Temos uma cultura antiquada, que não acompanhou a evolução e o crescimento mundial, que nos faz acreditar que somos o país do futuro, que temos riquezas que vão nos dar um futuro tranqüilo. Na verdade estamos destruindo o nosso meio-ambiente, diminuindo nossas áreas de cultivo e poluindo a nossa atmosfera.
Precisamos crescer sim, mas com planejamento, com investimentos nas áreas primordiais como na infra-estrutura de transportes, que é o elo mais importante da cadeia produtiva de um país.

Resenha "Puxar mais"

“Empurrar menos, puxar mais” (revista Logística, Outubro/2007), “Estruturação logística” (Sidney Trama Rago, consultor da IMAM Consultoria L...